O que não se aprende nos livros

6 de April de 2011,

o-globo As empresas brasileiras entram em nova fase após galgar patamar mais elevado de  desenvolvimento, fruto de um longo período de expansão de nossa economia. Foi um período  de fortes ajustes seguido de prosperidade que vai desde o Plano Real em 1994, até o final do governo Lula. Este, em seu primeiro mandato, teve o privilégio de ter sido beneficiado por excelentes ventos de popa, influenciados pela elevação dos preços das commodities fruto, em grande parte, do crescimento da economia mundial com destaque para a China e também a capacidade de bem posicionar o barco Brasil para aproveitar essas boas aragens. Em destaque as políticas assistenciais que, apesar de merecerem diversos retoques, tiveram a capacidade de impulsionar a renda e o consumo de uma classe até então apartada de nosso mercado.

Entramos numa nova fase. O Brasil é outro país. Passou bem pela crise mundial de 2008 e, apesar de não ir lá muito bem das pernas no âmbito fiscal, tem novo governo, aparentemente focado na superação destes percalços, e uma economia turbinada por uma combinação de mais emprego, melhor renda e mais crédito.

Paralelo a tudo isso, intensificam-se os problemas de gestão. É evidente o descompasso entre o crescimento da economia e a melhoria da qualificação dos recursos humanos requerida. É o que alguns chamam de “apagão da mão de obra”. Este fenômeno não ocorre apenas no “chão de fábrica”. Ocorre também no topo da pirâmide gerencial, com os seus principais executivos.

A “solidão do poder” é percebida e passa a ser mister combatê-la. O modelo onde o chefe se encastela numa torre de marfim ouvindo de seus subordinados diretos apenas as boas notícias, tudo indica, ficou para trás. Sair de sua sala, visitar todas as áreas, rotineiramente, especializar-se em saber perguntar e em saber ouvir mais do que falar é fundamental e precisa ser metabolizado.

Um gestor para ter sucesso precisa cada vez mais, aprimorar sua percepção acurada, seu senso de oportunidade, seu equilíbrio emocional, sua capacidade de negociação, de motivar pessoas e, principalmente, de saber perguntar e de saber ouvir.

O primeiro momento foi o da busca por atualização, capacitação.  Foi o “boom” dos cursos de educação continuada. Os MBA’s, as Pós Graduações, os Cursos de Especialização, etc.. Mais recentemente, existe um novo movimento impulsionado pelos executivos de ponta. É o de trocar de experiências junto a outros números 1, outros iguais tirando-se o máximo de proveito da sabedoria coletiva, sempre maior do que a individual. Desafios, obstáculos e alternativas de superação são discutidos em reuniões de grupo, com proveito para todos. É, sem substituir a educação continuada, um ambiente muito rico para se enfrentar esta nova fase que requer mais sabedoria de gestão, especialmente aquela que não se aprende nos livros e sim no dia a dia, no troca-troca de experiências com quem já vivenciou questões semelhantes.

Artigo no Globo

Artigo O GLOBO 07 mar 2011- CLÁUDIO DA ROCHA MIRANDA O QUE NÃO SE APRENDE NOS LIVROS - Cad. Opinião p.7